GUERRAS
As batalhas se tornam intensas demais.
Não existe trégua, acaba um combate e já entramos em outro.
É como se estivéssemos sem trincheira, e precisamos nos esquivar, fugir das explosões.
Não conseguimos parar, para dar um tiro preciso, nossos disparos são a esmo.
Não existe a possibilidade de se esconder, o campo de batalha é aberto sem proteção, precisamos correr.
Se parar, podemos ser neutralizados, precisamos continuar.
Nesse momento temos a sensação de que perdemos, não conseguimos nos alinhar para responder aos disparos.
A expectação é de derrota, e o desespero aparece em nossos caminhos.
Parece que tudo acabou, que não nos resta mais nada o que fazer, perdemos o controle da situação, é preciso fugir, se esconder, entrar no bunker, talvez alguns minutos de segurança, ou horas sem precisar se esquivar ou fugir, nos façam refletir.
Estamos vivos e lúcidos, conseguimos sobreviver até aqui, mesmo que feridos, ou atingidos por algum projétil, estilhaços, mas, ainda respiramos, temos vida, e esperança.
Na nossa jornada precisamos de uma trégua, no meio das batalhas, se refugiar num lugar seguro, onde tenha alimento, água potável, um lugar para descansar, ou alguém para desabafar.
Um bunker é normalmente protegido, tuneis levam a lugares que chegam a ser intransponíveis, o inimigo, precisa se aproximar, mas o local foi projetado para suportar ataques de infantaria, até de blindados, por mais que não seja uma fortaleza, tudo demanda tempo e estratégia para o ataque final do inimigo.
O que precisamos é de um pouco de tempo, se encontramos o bunker temos o tempo que precisamos, ou o necessário, para recuperarmos nossas feridas, restaurar a nossa estrutura, levantar a cabeça, agradecer pela vida, por sobreviver a tanto ataques, inúmeros confrontos e batalhas, dá para ouvir ainda o silvo dos projéteis e o deslocamento de ar das bombas, o uniforme todo manchado de pólvora, manchas vermelhas.
Parece a descrição de um campo de batalha, mas não é, embora seja semelhante, essa é a nossa vida, o nosso dia a dia, foi o nosso ontem, é o nosso agora, será o amanhã de certa forma, a batalha pela vida, espero que hoje, agora te encontre dentro do bunker.
Que essas palavras te encontre num momento que esteja seguro, longe das explosões e dos disparos, o inimigo apesar de rugindo e bramando, não pode chegar ao lugar que você está, mas este lugar seguro será por pouco tempo, logo virão armamentos mais pesados, bombas lançadas do alto, vai desestabilizar a estrutura, o risco pode ser grande.
Precisa continuar, encontrar um lugar ainda mais seguro, onde o espaço aéreo esteja protegido, a marinha não esteja comprometida, a infantaria possa das trincheiras disparar com precisão, responde ao fogo contrária nas mesmas proporções.
Nossa vida é uma batalha contínua, que não cessa, hoje haverá problemas, embates e indecisões, o amanhã da mesma, e se pensarmos no ontem, não foi diferente o cenário era outro, o local poderia ser diferente, os ataques de outro ângulo, de outra direção, mas as dificuldades são as mesmas, o momento parece uma repetição, no entanto, as lutas são diárias, as guerras nãos deixam ocasiões para festas.
Essa reflexão chega em nossas vidas, falando de uma realidade, talvez diversificada num todo, porque os campos podem ser diferentes em vários aspectos, mas, no fundo, os elementos são iguais, tiros, explosões, vidas sendo ceifados, pessoas ficando pelo caminho.
A impressão que temos é que a reflexão passa uma mensagem de fuga, de certo ponto de vista, sim, mas a mensagem que talvez passou despercebido, é que precisamos encontrar um local seguro, e lá em segurança, organizar uma defesa, ou um contra-ataque, como foi dito, responder aos disparos de forma precisa.
Fora das trincheiras, precisa fugir até que se encontre em segurança, precisamos encarar os combates com a certeza de vamos vencer, se estiver na dúvida, o melhor a fazer é procurar a trincheira, ficar no campo aberto será um alvo fácil.
Não se trata de fugir, mas sim, se proteger, manter a integridade, lembre-se que estamos falando da vida diária, a comparação com um campo de batalha, usei como metáfora, a guerra, é obvio que nem se compara, a guerra é uma cena de horror e destruição, mas ela tem um tempo e acaba, nossa batalha diária não cessa, e outra, não pode ter rendição, nem levantar bandeira de paz.
Não vai existir um termo de rendição para nós, os que fazem isso se foram precocemente, mas nós cheios de esperança, esperando por um novo amanhã, a fé numa vida eterna depois dessa, acreditando nas promessas fiéis de um certo JESUS CRISTO, o FILHO DE DEUS, que nos prometeu que um dia não vão existir mais lutas, nem tribulação, nem tentação, nem angustias, ELE disse que limparia de nossos olhos todas as lágrimas.
Então ficamos assim, se precisar fugir, corra, se precisar se esconder, se refugie, não se exponha, o bunker é isso mesmo que pensou, um lugar, um refúgio, muitos como eu e você o procuram as noites, no fim de semana, um lugar onde as brasas se ajuntam, onde as labaredas se fundem, ali temos um tempo para ouvir, louvar, lamentar, pedir, implorar, derramar a nossa alma, orar, ouvir uns conselhos, tiras as dúvidas.
Mas acredite, nunca vai ouvir nesse refúgio que deve parar, deixar de lutar, se entregar, desistir da vida, seja onde for, o local, a placa, não importa, palavras sempre serão motivadoras.
(Claudio Alves de Oliveira)
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